Produção Gráfica (CRP-0357, ECA)/Perfis/mat/Caio Abreu Braga

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Caio Abreu Braga

caioab@gmail.com ;)

Exemplos de bom e mau design

Para avaliarmos uma peça de design, seja anúncio ou mesmo utensílio doméstico, devemos atentar ao preceitos: desenho, projeto e desígno. Com estes preceitos, podemos estabelecer critérios e questionar a peça sob diversos aspectos, saindo apenas do "não gosto" ou "gosto". Claro que diferentes designers ou escolas podem usar nomenclaturas diferentes, mas, no geral, os critérios público, objetivo, formato e resposta são suficientes para avaliação.

Então, podemos observar que o bom design, muito mais do que um produto da Apple, é algo que essencialmente cumpra o seu papel (objetivo) de maneira condizente com o seu público-alvo. Assim, um excelente exemplo de bom design pode ser uma simples caneta Bic cristal mesmo, que inclusive está na coleção permanente do MoMA.

E é por isso também que é muito fácil fazer um "mau design": qualquer inadequação ou elemento distoante compromete todo o resto da peça, tornando aquele design bem intencionado um mau design. É aquela alface no dente.

O que chamamos de "mau design" acontece, normalmente, porque o responsável pela peça: não conhece o público/ a função da peça; não tem critério, falta conhecimento teórico e técnico; ou o briefing é ruim ou inexistente.

bom design

aacadeiras.jpg

Este anúncio do Alcoólicos Anônimos também pode ser considerado um bom design. É interessante citá-lo justamente porque ele foge daquilo que é comumente confundindo com “Design” (peças cheias de ilustrações modernas, art déco, muitas vezes poluídas e não cumprem seu objetivo). O interessante dessa peça é que ela se apropria do design de uma outra peça (o banco) para parra a mensagem do anúncio, de maneira clara e objetiva, cumprindo muito bem seu designo. E, justamente por passar a mensagem de maneira tão direta, não precisa utilizar outros recursos de design ou demais firulas, que poderiam prejudicar a comunicação, mostrando, novamente, que o design deve ser, antes de tudo funcional, como o banco do bar.


mau design

PGMAT Caio Braga 2.png

A idéia era até que boa: com o ketchup picante, realmente picante, você vai acabar bebendo até a água do vaso. Porém, a solução da arte deixou a desejar. O design dessa campanha não permite que você identifique o anunciante, além da idéia de que a pessoa bebeu a água do vaso não estar tão clara. Esse é um bom exemplo de que como o design poderia ter melhorado – e muito- esse anúncio, afinal, apesar da foto em si ser bem trabalhada, a sua composição, seus elementos, deixou muito a desejar.


PGMAT Caio Braga 3.png

Desenho? Projeto? Designo? Publico? Objetivos? Formato? Resposta: Esse anúncio fantasma mostra como é fácil fazer alguma coisa ruim em design. Na tentativa de fazer algo mais requintado usando efeitos do photoshop a imagem já se perdeu. Toda a estrutura do anúncio é falha, não permitindo identificar o anunciante e nem qual era o objetivo da peça. Faltou critério, briefing e conhecimento da função.

Forma

vejarosto2.jpg

Anúncio Veja

Ao ver o anúncio, primeiro você repara na cena: Osama Bin Laden, famoso terrorista. Segundo, os componentes: as palavras “morto” e "vivo". Em terceiro, a relação, a ação entre os elementos: Estaria o famoso terrorista morto ou vivo? As formas interagem, criando a mensagem.

Apesar do rosto não estar bem definido, conectamos as partes próximas, de acordo com o conceito de fechamento, e a imagem salta aos nossos olhos. Já o texto, apesar das alterações de tramanho e das distorções, podem ser facilmente lidas, o que é um outro conceito: invariância. Por último, a relação entre os elementos ( texto e imagem) é complementar, sendo essencial para o entendimento. O que temos aqui é um bom exemplo de gestalt: O todo é maior do que a soma das partes.

Em casos como este, a importância da forma no anúncio, e no design em geral, é evidente. O relacionamento entre as formas é a própria mensagem. Mas, o conceito de forma não se limita a isto: é importantíssimo para um bom design. Afinal, elas competem, disputam a nossa atenção e uma forma errada, mal colocada, pode estragar toda a mensagem, chamando a atenção só para si. Mesmo que você não queira privilegiar as formas, você deve trabalhá-las de maneira que elas se relacionem harmoniosamente, e fiquem despercebidas: um erro é capaz de roubar a cena e comprometer a mensagem.

Importante: tudo tem forma, inclusive um texto.

Assim, a forma é diretamente ligada, numa via de mão dupla, aos outros elementos do design, como: harmonia, equilíbrio, ênfase e alinhamento. Podemos até dizer que um não vive sem o outro. Para construir uma peça de design, não dá para pensar em partes ou em elementos isolados, você já deve pensar no todo.

Agora, para trabalhar bem com formas e entender o relacionamento entre elas, nada como abrir um programa de design gráfico (ou então pegar uma caneta e um papel) e desenhar, experimentando tamanhos, composições, contrastes; com formas geométricas básicas até as complexas. Ou então abrir uma revista e procurar as formas ocultas nos anúncios e nas entre-linhas.

--Caioab 17:15, 23 Junho 2007 (BRT)

Designer: Tibor Kalman

A genialidade de Tibor Kalman, um sujeito feio que nasceu em Budapeste, é indiscutível. Só pelo fato de ter sido o editor-chefe da ótima revista Colors já diz. Não é para qualquer um. Mas, vendo suas obras, isso se comprova. Referência pop, ele fez a capa do cd do talking heads. E também fez o famoso gaurda-chuva Sky umbrella:

Sky_Umbrella.jpg


Não preciso falar nada. Na verdade, é até difícil. Até porque fechado, é um guarda-chuva convencional, que em si já pode ser considerada uma boa peça de design por cumprir bem a sua missão (proteger da chuva) de maneira elegante, no melhor estilo Londres chuvosa. Mas, quando na hora da chuva, com aquele céu preto em cima, você abre e descobre um céu de um dia bonito só para você, torna esse simples guarda-chuva numa peça genial. São poucos os desigerns que tem essa visão de que, muitas vezes, a idéia está no próprio conceito do produto, mais do que ficar inventando formas “diferentes” para algo que já funciona.

Cor aprendida

Com certeza um bom e polêmico exemplo de cor aprendida versus apreendida é a cor da pele humana. O IBGE trabalha com o quesito cor em 4 opções: preto, pardo, branco, amarelo e indígena. É importante observar que, segundo o IBGE, preto e pardo formam a população negra, enquanto indígena só é diferente de amarelo para o IBGE porque eles buscam também levantar a população indígena sobrevivente no país.

Seria muito fácil se realmente ficássemos apenas nestes 5 padrões, ou então dentro das opções de cor de pele possíveis em um mundo virtual, como o Second Life. Aí sim poderíamos dizer que alguém realmente é preto, branco, amarelo, marrom.

A situação de cor aprendida piora e é polêmica porque a cor da pele que aprendemos também carrega uma estigma social: pretos e pardos sofrem preconceito já que a cor da sua pele é ligada a alguma etnia africana que foi escravizada, em um pensamento racista que existe desde o Brasil colônia e ainda não foi superado. Irônico é quando uma pesquisa descobre que o Neguinho da beija-flor é geneticamente mais europeu do que africano (leia aqui). Ele é muito mais "europeu" do que muitos brancos preconceituosos que dizem ser.

Esta situação de cor aprendida piora porque no Brasil há uma forte mixigenação, assim são poucos homens 100% pretos ou brancos. E a faixa intermediária que forma a maior parte da população fica um tanto quando indefinida e a cor da pele fica a critério do que a pessoa aprendeu. Um exemplo disto é o caso dos gêmeos univitelinos que prestaram vestibular e um passou pelo sistema de cotas e o outro não, mostrando não só como é frágil este sistema como a avaliação da foto, feita por duas pessoas diferentes ou então a mesma só que em momentos diferentes, pode variar (leia aqui).

A cor da pele é muito complexa porque não há um padrão uniforme, cada um tem uma tonalidade diferente e mesmo diversas tonalidades e manchas diferentes em sua pele.

Então, apenas para análise, vamos supor o caso de alguém do que chamamos realmente branco e outro realmente negro: benetton3.jpg

Tecnicamente, o bebê negro é rgb(24%, 20%, 10%). A cor de sua pele estaria mais para um cinza escuro avermelhado ( o que chamamos de marrom escuro). Já o bebê branco é rgb(89%, 78%, 41%), que aos nossos olhos seria mais um "pêssego", "madeira clara". Reduzindo ao universo de cores da caixa de lápis de uma criança, quando ela foi desenhar o papai e a mamãe as melhores opções são mesmo o marrom escuro e o amarelo, respectivamente. Em um último exemplo, a pele de um brasileiro comum: 534702824_af3f93530c_o.jpg


rgb(61%, 39%, 43%). Qual o nome que daríamos para essa cor? Marrom escuro avermelhado? Sienna(nome da cor mais próxima encontrada)?

Para cada centímetro de pele há uma cor para ser apreendida, por isso não podemos nos prender a generalizações. Na fotografia, é muito importante também o ambiente e as cores dele para compor a cor da pele de uma pessoa. Neste caso a cor apreendida pode variar muito, nas diversas tonalidades, sempre predominando o vermelho na composição RGB.

Uma dica legal: para quem usa firefox, o plugin Colorzilla é muito bacana, ajudando a ler as cores do monitor, para não ficarmos só nas cores aprendidas.

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